Os transtornos psicóticos referem-se a situações onde o pensamento, a afetividade e a capacidade de perceber a realidade estão comprometidos. Seu curso pode ser agudo e transitório ou de longa duração, como na esquizofrenia. As causas desses transtornos são diversas, combinando vulnerabilidade genética e fatores ambientais, podendo também ser induzidos por substâncias psicoativas.

Meninos são duas vezes mais acometidos por esquizofrenia que as meninas. A doença é mais comum na adolescência, sendo precedida por sintomas inespecíficos, como problemas de concentração, mudanças na motivação, transtornos de sono, irritabilidade e desconfiança. A família e os amigos notam que a pessoa mudou e não está funcionando bem em suas atividades habituais, mas o paciente dificilmente comenta sobre sua sensação de estranhamento.

É típico da esquizofrenia o paciente ouvir vozes comentando sobre seu comportamento ou sobre o que ele está fazendo. Pode haver delírios persecutórios, de ciúmes, de culpa ou pecado, além de sensação de estar sendo controlado por alguém ou por uma máquina. Também pode haver o sentimento de mente vazia, como “roubo” ou transmissão dos pensamentos. O discurso do paciente acometido por esquizofrenia pode ser prolixo e sem uma sequência lógica das ideias. A falta de vontade e apatia nos cuidados próprios, a falta de persistência no trabalho e na escola também são sintomas típicos.

Quando a doença surge antes dos 12 anos de idade, está fortemente relacionada a problemas do comportamento. Seu início é insidioso, com desorganização de ideias, delírios, alucinações e pouca ressonância afetiva. É sabido que crianças pequenas têm dificuldade em distinguir realidade e fantasia, sendo constitutivo da infância essa característica imaginativa. No entanto, crianças com quadros psicóticos são socialmente desadaptadas, estranhas e isoladas, além de apresentarem distúrbios do comportamento e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor.

É necessário uma avaliação minuciosa da saúde física e mental, com investigação através de exames de sangue e de imagem para descartar causas orgânicas destes transtornos como: doenças da tireoide, doenças metabólicas, neurológicas, deficiência de vitaminas, dentre outras.

O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais pois a cada surto psicótico ocorrem perdas cognitivas que não se recuperam, deixando o paciente cada vez mais prejudicado. O uso de medicação antipsicótica é recomendado em três etapas: na fase aguda do transtorno, na manutenção e na prevenção de recaídas, por pelo menos 12 meses após a remissão dos sintomas.