Quando os pais devem se perguntar se há algo além de desobediência e rebeldia, próprios da idade, no comportamento de crianças e adolescentes?

O transtorno desafiador opositor diz respeito a um estado de funcionamento predominantemente hostil, que geralmente se inicia antes dos oito anos de idade, mas pode surgir pela primeira vez na adolescência. O jovem demonstra comportamento provocativo e beligerante, desrespeitando as regras do ambiente familiar e da escola, mentindo repetidas vezes e agredindo ativamente ou indiretamente as figuras que representam autoridade, como pais e professores. Pode ocorrer furto de pequenas quantias de dinheiro ou bens menores, intimidação de colegas através da força física ou de palavrões, comportamento de abuso em relação à liberdade sexual do outro e destruição de bens alheios. A ausência de esforço para tentar explicar seu comportamento antissocial e a negação de responsabilidade são comuns nas crianças e adolescentes com transtorno desafiador–opositor.

Os pais podem se tornar cada vez mais impacientes e irritados com a criança que não responde como eles desejam. Consideram tal comportamento incongruente com o seu modo de viver e com a educação que oferecem a criança, o que pode ser uma verdade, mas também devem se questionar se estão sendo presentes na vida do filho, se estão colocando os limites necessários à convivência com os outros e se transmitem valores de vida em sua criação. Comprometer-se com esses comportamentos e buscar ajuda especializada é de fundamental importância.

É necessário excluir a presença de outros transtornos que podem manifestar-se como se fossem ou coexistir com o comportamento desafiador, como transtornos do humor, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.

O tratamento consiste em promover a habilidade de comunicação dos pais, instrumentalizando-os a se dirigirem diretamente à criança com sinceridade e convicção; sem afirmações difamatórias, embaraçosas ou ameaças vazias e sem que se sintam impotentes e desamparados. Em relação às crianças, é necessário ajudá-las a desenvolver competências emocionais que auxiliem em seu próprio afeto, capacidade de resolver problemas e construir habilidades sociais. Portanto, o tratamento envolve toda a família. O uso de medicamentos pode ser indicado em casos específicos.