O processo de aprendizado depende de capacidades cognitivas que a criança vai adquirindo pouco a pouco, com a maturação do sistema nervoso central e com os estímulos oferecidos pela escola e pela família.

As dificuldades escolares motivam grande parte dos encaminhamentos aos profissionais de saúde, são causas frequentes de baixa autoestima na criança e de conflitos dentro da família e entre esta e a escola. No entanto, a proposta pedagógica, a capacitação técnica do professor, a empatia da criança pelo mestre e pela escola também devem ser considerados na abordagem do desempenho escolar.

Os transtornos de aprendizagem são mais frequentes em meninos, tem natureza neurobiológica e refletem uma discrepância entre o nível de inteligência da criança e seu desempenho acadêmico.

O diagnóstico do transtorno de aprendizagem requer a aplicação de instrumentos padronizados e validados, que permitam o estudo das funções neuropsicológicas envolvidas no distúrbio, como a escala de inteligência Wechsler para crianças (WISC-III). Sabe-se que crianças com transtornos do aprendizado como dislexia, discalculia e disgrafia apresentam pior desempenho no quociente de inteligência verbal e de execução quando comparadas a um grupo de crianças sem transtorno.

É importante que os pais estejam atentos não só para as causas neuropsíquicas de fracasso escolar, pois os hábitos de leitura da família, os problemas de relacionamento conjugal e a desmotivação da criança para aprender são problemas frequentes no diagnóstico diferencial.

O tratamento destes transtornos requer um plano terapêutico interdisciplinar, focado no desenvolvimento das habilidades linguísticas e cognitivas, além da valorização dos pontos fortes da criança. A psicoeducação familiar é importante para que os pais aprendam a maneira correta de lidar com as situações peculiares destas crianças.