Da mesma maneira que bebês vivenciam etapas de intenso amadurecimento físico e psíquico, demonstrados pelos marcos de desenvolvimento (engatinhar, andar sozinho, falar as primeiras palavras), os adolescentes também passam por intensas mudanças, motivadas por lutos internos, como a transição do corpo infantil para o adulto, a perda dos pais idealizados, além da tensão de serem chamados a assumir novas responsabilidades.

Devemos considerar a adolescência um marco do desenvolvimento humano, ligado à consolidação da personalidade e a aquisição de novas habilidades psíquicas, que irão influenciar o indivíduo durante o decorrer de sua vida.

Por tais motivos, os adolescentes podem apresentar crises e conflitos em casa e na escola, com os pais, professores e colegas, sem que isso seja necessariamente um quadro depressivo. No entanto, a frequência e a intensidade dos conflitos, a mudança do padrão de humor, baixo rendimento escolar, os comportamentos de risco, a dependência química e os distúrbios de conduta são sinais de que as coisas não vão bem.

Os sintomas de depressão nessa faixa etária podem ser variados e diferem entre os sexos. É mais comum meninas apresentarem uma percepção negativa de si próprias, preocupação com o corpo e com o peso, dores difusas e automutilações (cutting). Meninos costumam apresentar comportamentos agressivos e explosivos que na realidade escondem frustrações e baixa auto- estima.

As causas da depressão podem variar, indo desde vulnerabilidade biológica a vivências de luto e divórcio, pais deprimidos e conflituosos, mudança de cidade, de escola, dentre muitas outras situações.

Os pais devem procurar ajuda sempre que identificarem comportamentos de risco, condutas suicidas, prejuízo social, pessoal e acadêmico. O melhor tratamento é feito com a criteriosa combinação de medicamentos e psicoterapia, após cuidadosa avaliação da dinâmica familiar e do exame psíquico do adolescente.

É importante estar sempre aberto ao diálogo com seu filho, evitando preconceitos e valorizando os sentimentos envolvidos, para compreender melhor o que os filhos pensam sobre si próprios e acerca do mundo em que vivem.