A tecnologia está cada vez mais presente nos meios de comunicação, deslocamento, consumo e estudos, principalmente após a pandemia de COVID-19. Estreitaram-se os laços entre os alunos e a escola, graças ao auxílio dos meios eletrônicos e da comunicação on-line; entretanto, o mal uso ou o uso excessivo de eletrônicos podem trazer prejuízos significativos ao desenvolvimento cognitivo de crianças e adolescentes.

Na primeira infância, até os seis anos de idade, quando as habilidades imaginativas e o universo simbólico ainda se encontram em formação, a criança precisa se espelhar em uma figura humana, para que através de sua prosódia, gestos e mímica facial, o desenvolvimento psíquico ocorra sem prejuízos. Daí a importância de uma socialização personificada com a utilização de recursos lúdicos e psicomotores, privilegiando o desenvolvimento sensório-motor em vez de deixar a criança solitariamente exposta por horas à tela.

Dos seis aos doze anos de idade, a exposição excessiva aos eletrônicos podem impactar na capacidade de discernimento entre a realidade e a fantasia, diminuir o grau de abstração e criatividade, aumentar a agressividade entre meninos (pelo caráter explícito de disputa presente nos jogos) e assujeitar a criança à passividade dos jogos, séries e vídeos, pois mesmo que esteja produzindo um conteúdo digital, ela reproduz os padrões já existentes, na tentativa de obter pertencimento e aceitação.

Adolescentes com dependência digital apresentam incapacidade de se desligar dos eletrônicos, até mesmo na hora de dormir. Apresentam alteração do sono, trocando o dia pela noite, descumprimento de regras e acordos familiares, desinteresse pela escola, perda da noção de tempo e socialização mediada por jogos.

O tratamento exige a mudança de padrões de comportamento de toda a família, com diminuição gradativa do tempo de exposição à tela.Planos de internet que possam ser compartilhados entre a família com limitação de tempo para cada um podem ajudar a limitar o tempo de adição aos eletrônicos. O psiquiatra infantil é o profissional que faz o diagnóstico desse transtorno, gerencia os acompanhamentos complementares e pode indicar o uso de medicamentos para tratar comorbidades e sintomas associados.

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