É um distúrbio do desenvolvimento infantil em que ocorre prejuízo na esfera da linguagem, da socialização e do comportamento. Por se tratar de um diagnóstico dimensional, a criança no espectro autista, pode apresentar gravidades diferentes nos seguintes aspectos:

  • Capacidade de se expressar, tanto na comunicação verbal quanto na gestual dificultada, podendo demorar a adquirir a fala, ou mesmo não falar. Muitas vezes a linguagem é sucinta, repetindo a última frase ou palavra pronunciada pelos pais. Podem trocar fonemas e comunicar apenas uma necessidade imediata, levando a mão do adulto até o objeto em vez de pedir;
  • Inabilidade para compreender e interagir, preferindo permanecer sozinha em brincadeiras individuais, pois não consegue se envolver em atividades que precisem compartilhar a atenção com outras crianças. Por exemplo, muitas professoras se queixam de alunos que “não param” em sala de aula e não se concentram nas explicações como os outros, causando um grande tumulto em classe;
  • Interesse por assuntos restritos, por exemplo, marcas de carro e símbolos. As crianças do espectro autista brincam pouco, preferem jogos eletrônicos, muitas vezes utilizando seus próprios brinquedos de maneira inadequada, como distrair-se por longo tempo girando a roda do carrinho ou enfileirando-os em vez de utilizá-los para brincar;
  • Reagem com muita irritabilidade a pequenas mudanças de rotina, com birras e reações físicas;
  • Têm dificuldade em fazer e manter relacionamentos de amizade próprios de sua idade.

As causas do autismo, apesar de bastante estudadas, ainda não estão completamente estabelecidas. Apesar de haver um componente genético envolvido, ainda não há nenhum marcador biológico capaz de identificar precocemente a presença deste transtorno. Entretanto, é possível identificar sinais de alerta antes dos três anos de idade, como a ausência de sorriso social, de vocalizações e de olhares do bebê voltados para seu cuidador, além de desinteresse por objetos e ausência de brincadeiras de faz de conta. Por isso o diagnóstico é predominantemente clínico: baseia-se na observação do comportamento da criança pelo médico especialista.

Crianças com transtorno de espectro autista devem receber abordagem interdisciplinar em direção a independência e autonomia. Precisam de apoio pedagógico para adequação ao método escolar, um psicologo para desenvolver sua subjetividade e fonoaudiólogo para estimulação e treinamento do aparelho fonador. Medicamentos são indicados em casos específicos, como insônia, agressividade e inquietação motora.